O MC de Lisboa organizou uma saída de fim-de-semana que os transportou a idade média. O relato reza assim:
“Corria o ano da graça de 2011, quando aos 4ºs e 5ºs dias, do mês de Julho, partiram da capital do reino, 22 nobres cavaleiros ou menos, sob a égide do Moto Clube Lisboa (MCL), para um fim-de-semana de diversão e corte. Junto de tal prol, cavaleiros do Montijo e Almodôvar, perderam-se na muy organizada cavalgada, ao longo da nova estrada romana, agora conhecida, por EN 1. Para tantos cavaleiros, só 9 montadas e uma carroça, que carregava Dom Hélio e Condessa Sara, os anfitriões da coutada gastronómica e cultural, que na muy longínqua terra de Aljubarrota, teve lugar.
Sob o reinado de el rei Louis Wergasta, cujos problemas com a montada e a rainha Rute, o levaram muy bravamente, ao encontro do mítico Bonança, atravessando o Oeste selvagem, até chegar à fortificação da Ponderosa, para gáudio e afirmação das suas hostes.
A indescritível sede da travessia, só foi saciada no Bigodes, já no reino de Leiria, tal foi o desgaste provocado pelo intenso calor. Prontos e atestados para mais uma jornada, todos os cavaleiros, pegaram nas suas montadas e carroça, abalando para uma longa etapa de 20 km, onde a sede e a fome foram cativas.
Atormentados e exaustos por tão longo percurso, derivado da fraqueza de algumas das montadas, eis que Dom Hélio, o trovador da Nazaré, nos presenteia com um manjar, digno de marqueses. Os nobres da corte e os plebeus (este modesto escriba), rejubilaram com a visão e degustação de tanta e imensa fartura, regada por preciosos néctares, colhidos em terras do norte do Reino de Portugal.
Condessa Sara, em tempos idos, Duquesa do Pinhal Novo, zelou pelo provisionamento de tantos e sequiosos cavaleiros. Foi assim a viagem, que levou 7 luas (ou menos) a abraçar a cidade fortificada da Batalha.
Tocavam os sinos a rebate no mosteiro, para avisar da hora da oração, quando el rei do MCL e príncipe da Apelação, Louis Wergasta, apelou aos convivas, para a eminência de uma nova batalha, em S.Jorge, a 2 léguas de caminho. Já o sol marcava o meio-dia, quando toda a caravana se prestou à imensidão da campina.
Estar num lugar histórico e não visitar, o Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, seria um atrevimento, pois visita do MCL que se preze, terá sempre as vertentes culturais, lúdicas e gastronómicas. Aqui neste local, é prestada a homenagem histórica aos combatentes, que tanto lutaram para vencer os invasores castelhanos, para elevar a glória e honra de Portugal.
Mais uma longa e contínua jornada nos aguardava. Os batedores da corte desbravavam o caminho, indicando à caravana o destino a traçar. Quis a fortuna, que a reunião combinada fosse atrasada, por motivo de alguns dos cavaleiros de outras confrarias, andarem ainda perdidos nos pastos, por longos e penosos caminhos, à procura de líquidos para as montadas. Azar de uns, sorte de outros, pois um feitor local, nos abriu a sua taberna, com distintas iguarias e refrescantes fluidos, para atenuar as dores que a viagem despertou. Logo aqui fomos convidados a visitar o castelo de outra confraria, pertença dos Tarados da Estrada. É este um ponto de honra. Sempre que o MCL vai para a estrada, a visita a outros confrades é regular.
Estafados de tanta montaria e fartos banquetes, foi chegada a altura de procurar alojamento. A Estalagem do Cruzeiro, na mítica povoação de Aljubarrota, acolheu os cavaleiros. Esta localidade, faz a justa homenagem à padeira mais famosa do reino. Mais que uma figura, a padeira é representativa de um movimento que cruzou todo o reino de Portugal, para a efectiva expulsão dos invasores castelhanos.
Por via da eleição do novo príncipe regente do reino, este escriba ausentou-se após o jantar de sábado, para assim cumprir o dever de cidadania, ou seja, a escolha pelo voto.
A caravana partiu no domingo pela estrada atlântica, rumo às praias da Nazaré, local onde teve lugar mais um enorme banquete, animado por trovadores e bobos, tanto locais, como viajantes. Como disse o poeta Camões: “Por mares nunca antes navegados…”. Hoje escreveria assim:
Por tabernas e caminhos, nunca antes explorados,
pelo prazer de viajar, sempre cativado,
pelo companheirismo e amizade ,
unidos no sentimento de saudade e permanente liberdade….
Pela história, conhecimento e companheirismo. São estas a 3 vertentes, de todos os passeios do MCL. Preparados para a próxima?”
Fonte:Motociclismo